“Quem peca é escravo do pecado.” Um tratado inteiro de psicologia poderia ser extraído desta frase sapiente e profunda. Por trás de suas palavras simples e despretensiosas existe um alto sentido, um significado profundo de difícil percepção à superficialidade natural da mentalidade comum.
Nosso mestre maior suplantou sua sabedoria aqui, apontando a todos nós a causa sutil e permanente das motivações humanas, aquela que antecede a todas as ações humanas e está na origem de todos nossos atos.
Ao dizer “escravo” ou como está em outra tradução: “servo,” nosso sublime mestre revelou um aspecto profundo da psicologia humana. O escravo ou o servo não tem liberdade ou autonomia. Sua existência está condicionada à sua dependência. O escravo está totalmente dependente de outrem, ele não tem vontade própria, o que faz sua desgraça.
Mas, a alma humana é sempre livre. Tudo o que lhe acontece tem sempre que passar pelo crivo de sua vontade, por maior que seja o peso do destino.
A sabedoria divina de nosso mestre Jesus alertou a alma humana à nocividade inconsciente e desconhecida pela maioria de seu amor ao mal.
Ao dizer antes “Quem peca” ele acentuou claramente o momento psicológico no qual a alma abre mão de sua autonomia, abre mão de sua fortaleza moral, cede à fraqueza e deixa-se prender-se pelo mal. Aí sua alma ficará acorrentada às forças perversas que sugarão sua alma até à exaustão. Depois, cansada, oprimida, imunda, atolada na miséria, angustiada pela dor atroz, será abandonada pelo diabo como um lixo inútil.
Não é difícil observar pessoas nesse estado em nosso dia a dia. Pessoas embrutecidas por drogas, devassidão, álcool, crime, as quais degradaram-se ao extremo. Algumas tornaram-se verdadeiros zumbis humanos, já não tem mais vontade própria.
Tais pessoas estariam completamente perdidas se não fossem acolhidas pela misericórdia divina, pelo amor inesgotável de Deus.
Assim, podemos notar aqui mais um indício da bondade maravilhosa de nosso mestre maior, o qual nos abençoou com sua sapiência divina, abrindo os olhos de nossa alma à verdade que liberta para sempre.