O divino Mestre.

O divino Mestre.
Eu sou o caminho, a verdade e a vida.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Paz e bom ânimo.

Muitas vezes nosso divino mestre Jesus recomendava paz e bom ânimo.
Isto não era por acaso. Nosso mestre detinha a sabedoria divina, ele sempre falava o essencial e necessário no momento; suas palavras sempre causavam um efeito moral e psicológico profundo na alma humana.
Esta recomendação vem de encontro a uma necessidade imperiosa para a humanidade, sobretudo aos ocidentais.
Perdemos a paz interior, aquele sentimento sereno, tranquilo e pacífico, o qual vale mais de que as maiores vitórias do mundo. Em que ponto de nossa caminhada perdemos este tesouro?
Estamos sempre inquietos e perturbados, nossa alma está sempre num estado de ebulição psicológica extremamente nocivo para nós.
É nosso demônio interior. Uma das principais características do demônio é justamente a falta de harmonia e paz. O diabo adora perturbação e desordem.
Nosso mestre compreendia o quanto isto é nocivo à alma humana, por isto sua recomendação.
Ele sabia o quanto sofre a pobre humanidade por sempre ceder às sugestões diabólicas e perversas do demônio.
Um dos pontos mais importantes da doutrina evangélica é justamente trazer de volta à humanidade este tesouro perdido em algum momento de sua história. Este sentimento de segurança, confiança em Deus, harmonia e paz mesmo diante das maiores catástrofes e dores.
É este sentimento que gera o bom ânimo no inferno do mundo. Sem isto a alma humana desfalece no mar de dores e misérias ocasionado pela inexorável justiça de Deus, a qual dá a todos o que merecem.
A inconsciência humana não pode compreender isto em sua alienada, perversa e egoísta visão sob o domínio do diabo, mas a justiça de Deus é inexorável: colhe-se o que se planta.
O evangelho de nosso mestre á a luz divina a qual ilumina as trevas de nosso demoníaco inferno. Quem seguir as recomendações de nosso divino portador da luz vai colher flores em meio às piores calamidades.
O evangelho nos devolve a paz de Deus, um dos maiores tesouros do universo.

Nosso mestre maior é o portador deste tesouro imperecível.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

O testemunho de Tomé. Da obra "A boa nova." Irmão X. Psicografia: Chico Xavier.


Conta a narrativa de Marcos que, voltando Jesus de uma das suas excursões, se
encaminhou para o território de Dalmanuta, onde vários fariseus se puseram a
discutir com ele, para experimentá-lo. Entremostrando a dor que lhe causava a
incompreensão ambiente, o Mestre exclamou com a sua energia serena: - "Por
que pede esta geração um sinal do Céu?"
Era frequente buscarem o Messias com a preocupação exclusiva do maravilhoso.
Alguns exigiam os milagres mais extravagantes, no ar, no firmamento, nas águas.
Jesus não afirmava ser o Filho de Deus?!... No exercício do seu ministério, não
expulsara espíritos malignos, não curara paralíticos e leprosos? Os fariseus,
principalmente, eram os que desejavam crer nos ensinamentos novos, mas,
dentro das normas do velho egoísmo humano, reclamavam prévias
compensações do sobrenatural ao apoio do dia seguinte.
De todos os discípulos, era Tomé o que mais se preocupava com a dilatação, que
lhe parecia necessária, da zona de influenciação do Senhor junto dos homens
considerados mais importantes e mais ricos. Não raro,
insistia com Jesus para que atendesse às exigências dos fariseus bem
aquinhoados de autoridade e de riqueza.
Naquele dia de breve repouso em Dalmanuta, o Mestre descansava na choupana
de um velho pescador por nome Zacarias, quando o discípulo surgiu
inesperadamente, reclamando-lhe a atenção nestes termos:
- Senhor, numerosos homens de importância estão na localidade e desejam o
sinal de vossa missão divina!
Reparando que Jesus guardara silêncio, Tomé continuou a falar, desejoso de
acender entusiasmo em torno do seu alvitre.
- São altos funcionários de Herodes, em companhia de doutores de Jerusalém,
que excursionam por estas paragens... Além disso, estão acompanhados de
patrícios romanos, interessados em conhecer o lago e as suas aldeias mais
influentes. Esses viajantes ilustres fizeram-me portador de um convite atencioso e
amável, pois vos esperam em casa do centurião Cornélio Cimbro!...
Jesus, entretanto, depois de longo silêncio, no qual pareceu examinar detidamente
a atitude mental do interlocutor, perguntou com serenidade, mas em tom algo
doloroso:
- Que desejam de mim?
- Querem conhecer-vos, Mestre! - replicou o apóstolo, mais confortado.
- Não é necessário que me vejam a mim, mas que sintam a verdade que trago de
Nosso Pai - redarguiu Jesus, com tranquila firmeza.
Deixando transparecer o desgosto que aquela resposta
lhe causava, Tomé insistiu:
- Mestre, Mestre, atendei-os!... Que será do Evangelho do Reino e de nós
mesmos, sem o apoio dos influentes e prestigiosos? Acreditais na vitória sem o
amparo
das energias que dominam o mundo? Mostrai -vos a esses homens, revelai-lhes o
vosso poder divino, pois, ao demais, eles apenas desejam conhecer-vos de perto!.
- Tomé - exclamou o Senhor, com energia -, Deus não exige que os homens o
conheçam senão no santuário do perfeito conhecimento de si mesmos. Eu venho
de meu Pai e tenho de ensinar as suas verdades divinas. Nunca reclamei dos
meus discípulos as suas homenagens pessoais, apenas tenho recomendado a
todos que se amem, reciprocamente, através da vida!
E, desfazendo as ponderações descabidas do discípulo, continuou:
- Julgas, então, que o Evangelho do Reino seja uma causa dos homens
perecíveis? Se assim fosse, as nossas verdades seriam tão mesquinhas como as
edificações precárias do mundo, destinadas à renovação pela morte, nos eternos
caminhos do tempo. Os patrícios romanos e os doutores de Jerusalém não terão
de entregar a alma a Deus, algum dia? Quem será, desse modo, o mais forte e
poderoso: Deus, que é o Pai de sabedoria infinita, na eternidade de sua glória, ou
um césar romano, que terá de rolar do seu trono enfeitado de púrpura, para o pó
tenebroso da sepultura?!
Tomé escutava-o, surpreso e entristecido; todavia, com o propósito de se justificar,
acrescentou comovido:
- Mestre, compreendo as vossas observações divinas; no entanto, esses
forasteiros desejavam apenas um sinal de Deus nos céus.
- Mas, se são incapazes de perceber a presença do
Nosso Pai, como poderão reconhecer-lhe um simples sinal?
- perguntou Jesus, com todo o vigor da sua convicção. - Os pais humanos sabem
que sem o seu esforço, ou
sem a generosa cooperação de alguém que os substitua,
à frente da família, não seria possível o desenvolvimento
de seus filhos, no que se refere à assistência material; contudo, os homens do
mundo encontram a casa edificada da natureza, com a exatidão de suas leis, e
timbram sempre em negar a assistência da Providência Divina. Vai, Tomé, e dize lhes que o Evangelho do Reino não se destina aos que se encontrem satisfeitos e
confortados na Terra; destina-se justamente aos corações que aspiram a
uma vida melhor!
Ante a firmeza das elucidações, o apóstolo não mais insistiu. Ainda, porém,
interrogou, hesitante:
- Mestre, qual será então a nossa senha? Como provar às criaturas que o nosso
esforço está com Deus?
- Uma só lágrima, que console e esclareça um coração atormentado - explicou
Jesus -, vale mais do que um sinal imenso no céu, destinado tão-somente a
impressionar os miseráveis sentidos da criatura. A nossa senha, Tomé, é a nossa
própria exemplificação, na humildade e no trabalho. Quando quiseres esclarecer o
espírito de alguém, nunca lhe mostres que sabes alguma coisa; sofre, porém, com
as suas dores e colherás resultado. A redenção consiste em amar intensamente.
Se te interessas por um amigo, suporta os seus infortúnios e imperfeições, anda
em sua companhia nos dias amargos e dolorosos! O nosso sinal é o do amor que
eleva e santifica, porque só ele tem a luz que atravessa os grandes abismos. Vai e
não descreias, porque não triunfaremos no mundo somente pelo que fizermos,
mas também pelo que deixarmos de fazer, no âmbito das suas falsas
grandezas!...
*
Desde esse dia, o apóstolo Tomé reformou a sua concepção sobre as mensagens
do céu, no capítulo dos milagres; entretanto, não conseguia escapar a pequeninas
indecisões, em matéria de fé. Não podia excluir de sua
imaginação o desejo de uma vitória ampla e fácil do Evangelho, pela renovação
imediata do mundo.
Dentro em pouco, porém, a onda das perseguições vinha desfazer a suave e
divina ventura. O Mestre fora preso. Com exceção de João, que se conservara
junto de sua mãe, todos os discípulos se afastaram espavoridos.
Também ele não resistiu às grandes vacilações do triste momento. Debandara.
Todavia, depois, sentira o coração pungido de remorsos acerbos. Almejava
contemplar o Mestre querido, ouvir, se possível, pela última vez, uma palavra de
exprobração dos seus lábios divinos. Disfarçando-se, então, de maneira a tornar-se irreconhecível, a fim de se livrar das iras da multidão, incorporou-se, nas ruas
movimentadas, ao ruidoso cortejo. Seu coração batia acelerado. Rompeu a massa
popular e aproximou-se do Messias, que caminhava sob a cruz a passos
vacilantes, seguido de perto pelos soldados que o protegiam contra os ataques da
plebe. Sentiu que uma grande angústia lhe dilacerava as fibras mais delicadas da
alma. Contudo, seguiu sempre, até que o madeiro se ergueu, exibindo o
sentenciado sob os raios do Sol claro, no topo de uma colina, como para
apresentar espetáculo às vistas do mundo inteiro.
Tomé contemplou fixamente o Mestre e notou que o espírito se lhe mantinha
firme. Sua fisionomia serena, não obstante o martírio daquela hora, não refletia
senão o amor profundo que lhe conhecera nos dias mais lindos e mais tranquilos.
Seus pés, que tanto haviam caminhado para a semeadura do bem, estavam
ensanguentados. Suas mãos generosas e acariciadoras eram duas rosas
vermelhas, gotejando o sangue do suplício. Sua fronte, em que se haviam
abrigado os pensamentos mais puros do mundo, se mostrava aureolada de
espinhos.
Tomé se pôs a chorar discretamente; logo, porém, como se o olhar do Mestre o
buscasse, entre as milhares de criaturas reunidas, observou que Jesus o fitara e, magnetizado pela sua feição
divina, avançou, hesitante. Desejava escutar daqueles lábios adorados a
reprovação franca e sincera que merecia o seu condenável procedimento, fugindo
ao testemunho da hora extrema. Aproximou-se ofegante da cruz e, deixando
perceber que apenas cedia a uma necessidade espiritual naquele instante
supremo, ouviu Jesus dizer-lhe em voz quase imperceptível:
- Tomé, no Evangelho do Reino, o sinal do céu tem de ser o completo sacrifício de
nós mesmos!...
O apóstolo compreendeu-lhe as palavras e chorou amargamente.
*
Não obstante a advertência do Messias, feita do cimo da cruz da humilhação e do
sofrimento, o discípulo continuava naquela atitude que se caracterizava por
dúvidas quase invencíveis. Considerava o Cristo a mais alta figura da
Humanidade, em se tratando do amor que ilumina as estradas escabrosas da vida
material; mas, no que se referia ao raciocínio, Tomé mantinha certas restrições.
Sua alma se deixava empolgar por inúmeras indecisões, quando a notícia
fulgurante da ressurreição estalou em Jerusalém, por entre vivas manifestações
de alegria.
Maria de Magdala, Pedro, João, bem como outros companheiros, tinham visto o
Senhor, tinham-lhe escutado a palavra consoladora e divina. Incerto de si mesmo,
quase vencido na sua escassa fé, o discípulo procurou os amigos diletos,
ansiando pela manifestação do Mestre adorado. Reunida a pequena comunidade,
depois das preces habituais, Jesus penetrou na sala humilde com sereno sorriso,
desejando aos companheiros paz e bom ânimo, como nos dias venturosos e
risonhos da Galiléia. Tomé, sentindo o coração bater-lhe precipitado, ergueu os
olhos. O Senhor, percebendo-lhe os pensamentos mais ocultos, aproximou-se do discípulo de fé vacilante e o convidou a tocar-lhe as chagas.
Depois de pronunciar as palavras que as narrativas apostólicas registraram,
acrescentou bondosamente: - "Tomé, põe a tua mão nas minhas chagas e não te
esqueças de que é o sinal."
Então, a razão fria do apóstolo notou que um clarão novo o invadia e lhe
penetrava a alma. Compreendeu finalmente que o martírio do coração que ama se
reveste de misterioso poder. Tocado pela humildade do Mestre redivivo,
prosternou-se e chorou. Suas lágrimas eram de ventura e lhe proporcionavam ao
espírito um júbilo para cujo preço todos os tronos da Terra eram miseráveis e
pequeninos. Sua alma acabava de vencer uma grande batalha. O coração
triunfara do cérebro, o sentimento lhe acrisolara a fé.