Das muitas apreciações a que a doutrina evangélica nos
propicia a que salta à vista é o amor incondicional. O mestre tinha um
sentimento sublime e imparcial por todas as criaturas existentes, uma
capacidade de amar inesgotável e pura sem qualquer interesse baixo ou egoísta,
tão comum a qualquer ser humano.
Para nós, humanos escravos de tantos demônios, egoístas
até o fundo da alma, com o coração acorrentado às peias do mal causa estranheza o simples fato de surgir no
inferno do mundo um ser de tal magnificência. Mas, se a lei de Deus assim o
exige só podemos tentar compreender e aceitar tal fato como uma absoluta
necessidade ocasionada por uma causa premente.
No universo nada ocorre por acaso ou inesperadamente,
tudo ocorre por algum motivo e sempre esperado, mesmo as menores coisas são
determinadas por causas anteriores. Tudo o que existe, desde as menores
criaturas microscópicas até aos maiores conglomerados estelares foi criado por
causas anteriores, que por sua vez foram ocasionadas por outras causas. Tal lei
é válida também aos acontecimentos. Todo acontecimento bom, mal, agradável ou
desagradável ocorre determinado por causas poderosas objetivando determinado
fim.
A encarnação do sublime mestre Jesus é parte de um plano
maior imperceptível à mentalidade superficial e ignorante da maioria, plano
este impossível de ser efetivado sem a descida do sublime mestre ao inferno
deste mundo.
Mesmo a mais sofrida das criaturas humanas, as maiores
dores e misérias que alguém já sofreu não se
pode comparar ao sacrifício de descer das alturas elevadíssimas e
encarnar no lodo viscoso do inferno deste mundo.
Por isto, cantemos hosanas ao divino mestre e seu evangelho
redentor. Sacrifiquemos nosso demônio egoísta
no altar da boa vontade. O evangelho é a mais pura mensagem de amor, luz e
bondade que a misericórdia de Deus fez surgir nas trevas deste mundo.