O divino Mestre.

O divino Mestre.
Eu sou o caminho, a verdade e a vida.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Texto do livro "A boa Nova". Psicografia: Chico Xavier.


                    Bartolomeu foi um dos mais dedicados discípulos do Cristo, desde os primeiros tempos de suas pregações junto ao Tiberíades; contudo, Bartolomeu era triste e, vezes inúmeras, Jesus o surpreendia em meditações profundas e dolorosas. 
                Bartolomeu não sabia explicar  o porquê de  suas tristezas, mas dizia que  o Evangelho o enchia de esperanças. “Quando
esclarecestes que o vosso reino não é deste mundo -- disse ele a Jesus --, experimentei uma nova coragem para atravessar as misérias
do caminho da Terra, pois, aqui, o selo do mal parece obscurecer as coisas mais puras!... Por toda parte, é a vitória do crime, o jogo das ambições, a colheita dos desenganos!...” 
                 Jesus lhe falou, com serenidade, que seu reino ainda não era deste mundo, mas isso não significava que ele não gostaria de estendê-lo aos corações que mourejam na Terra. O Evangelho teria, contudo, de florescer primeiramente na alma das criaturas, antes de frutificar para o espírito dos povos. 
                O Senhor lembrou-lhe, então, que a vida terrestre é uma estrada pedregosa, mas que conduz aos braços amorosos de Deus. “O trabalho é a marcha. A luta comum é a caminhada de cada dia. Os instantes deliciosos da manhã e as horas noturnas de serenidade são os pontos de repouso”, asseverou o Cristo. “Na atividade ou no descanso físico, a oportunidade de uma hora, de uma leve ação, de uma palavra humilde, é o convite de Nosso Pai para que semeemos as suas bênçãos sacrossantas.” 
                Após explicar por que os viajores da Terra estão sempre desalentados, Jesus acrescentou: “A verdade não exige: transforma. O Evangelho não poderia reclamar estados especiais de seus discípulos; porém, é preciso considerar que a alegria, a coragem e a esperança devem ser traços constantes de suas atividades em cada dia”. 
                E quando os negócios do mundo nos são adversos? E quando tudo parece contra nós? A tais questões, propostas por Bartolomeu, Jesus respondeu: “Qual o melhor negócio do mundo, Bartolomeu? Será a aventura que se efetua a peso de ouro, muita vez amordaçando-se o coração e a consciência, para aumentar as preocupações da vida material, ou a iluminação definitiva da alma para Deus, que se realiza tão-só pela boa-vontade do homem, que deseje marchar para o seu amor, por entre as urzes do caminho? Não será a adversidade nos negócios do mundo um convite amigo para a criatura semear com mais amor, um apelo indireto que a arranque às ilusões da Terra para as verdades do reino de Deus?” 
                 E quando perdemos um ente amado -- insistiu Bartolomeu --, é justo ficarmos tristes? Jesus respondeu: “Mas, quem estará perdido, se Deus é o Pai de todos nós?”   “Se os que estão sepultados no lodo dos crimes hão de vislumbrar, um dia, a alvorada da redenção, por que lamentarmos, em desespero, o amigo que partiu ao chamado do Todo-Poderoso? A morte do corpo abre as portas de um mundo novo para a alma. Ninguém fica verdadeiramente órfão sobre a Terra, como nenhum ser está abandonado, porque tudo é de Deus e todos somos seus filhos”. 
                Feliz com os ensinamentos colhidos, Bartolomeu dirigiu-se para Dalmanuta, onde residia, meditando nas lições recebidas. Era madrugada quando chegou a casa. Ao ranger os gonzos da porta, seus irmãos dirigiram-lhe impropérios, acusando-o de mau filho, de vagabundo e traidor da lei. O apóstolo recordou, porém, o Evangelho e sentiu que tinha bastante alegria para dar a seus irmãos. Por isso, em vez de reagir asperamente, como de outras vezes, sorriu-lhes com a bondade das explicações amigas. 
                Seu velho pai também o acusou, escorraçando-o, mas Bartolomeu achou natural. Seu pai não conhecia a Jesus e ele o conhecia. Depois de repousar alguns momentos, tomou as suas redes velhas e demandou sua barca, tendo para com todos os companheiros de serviço uma frase consoladora e amiga, irradiando ao seu redor a alegria de que falara o Cristo.