“Eu não tenho demônio!” Somente nosso mestre maior
poderia proferir esta frase.
Para nós, escravos de tantos demônios, é incompreensível
tal coisa. Aqui percebemos a diferença fundamental entre nosso mestre e a
baixa, egoísta e perversa natureza humana.
Nosso pensamento, nossa vontade está pervertida desde a
origem por nossa baixa e perversa natureza. Coisa que não ocorria com nosso
mestre maior. Ele tinha uma percepção totalmente diferente da baixa e maldosa
percepção humana. Ele enxergava tudo do alto, não estava com o entendimento
amarrado à terra como ocorre com a humanidade, presa à sua estreiteza de visão
em sua alienada e bitolada visão perversa.
É este demônio interior, que todos tem dentro de si, o
causador de todas as misérias, perversidades e depravações que infestam o mundo
desde sempre.
A encarnação de nosso mestre Jesus faz parte de um plano
universal de Deus objetivando o combate ao mal e o estabelecimento definitivo
do evangelho e a verdade em todos os corações do mundo. Obra que perdurará até
o final dos tempos.
Por isto, observamos nos evangelhos o conflito perpétuo entre
o pensamento de nosso mestre e a alma demoníaca da humanidade.
Este conflito é o resultado da luta perene entre o bem e
o mal originada desde o início da criação. Luta que acabará por lançar por
terra todas as forças do mal do universo.
A cada momento as forças do mal perdem terreno para as
forças do bem, pois o mal é passageiro, mas o bem é eterno. O mal é um cancro a
ser curado pela dor e o tempo.
O evangelho de nosso mestre Jesus vai transformar todos
os corações do mundo e mudar a psicologia da humanidade, transformando
paulatinamente a perversa alma humana, servidora do diabo, em uma colaboradora
de Deus sob a luz da verdade até o final dos tempos.
Para isto acontecer foi necessário um sacrifício imenso:
a encarnação de um ser puro, moral elevada, detentor de retidão absoluta, amor
à verdade, sabedoria verdadeira; bondade sublime, desinteressada, coragem
inusitada, humildade verdadeira e um amor incondicional por todas as criaturas
nas trevas que envolvem o lodaçal deste mundo dominado pelo diabo.
Nunca poderemos pagar nossa dívida a nosso Mestre Jesus
por seu sacrifício sublime.
Só mesmo uma humanidade melhor no futuro vai reconhecer
com mais justeza a sublimidade e magnificência deste sacrifício, pois o demônio
impede a humanidade atual de perceber isto.